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Marido de aluguel: o que faz, o que não faz e como cobra

Maleta de ferramentas aberta na bancada de uma área de serviço, com chaves, alicate, nível e parafusadeira.
Imagem ilustrativa.

Marido de aluguel é o profissional dos pequenos reparos da casa: troca tomada e chuveiro, pendura suporte de TV, cortina e prateleira, troca o reparo da torneira e da caixa acoplada, monta um móvel simples. Homem ou mulher, o nome é popular e não diz nada sobre quem atende. O que ele não faz: gás, quadro elétrico novo, obra que mexe na estrutura e ar-condicionado que precisa de gás. A cobrança é por hora, por serviço, por diária ou por orçamento fechado, quase sempre com um valor mínimo por visita. Por isso compensa juntar uma lista e chamar uma vez só.

O que ele faz

O trabalho dele é a manutenção miúda, aquela que fica parada porque ninguém em casa tem tempo, ferramenta ou jeito. São serviços de uma a poucas horas, com material simples, que não pedem projeto.

Parede marcada a lápis com nível, detector de cano e furadeira para fixar um armário.
Imagem ilustrativa.
  • Elétrica pequena: trocar tomada e interruptor, trocar chuveiro do mesmo tipo e potência, trocar lâmpada, luminária e bocal solto, montar extensão.
  • Furar e fixar: suporte de TV, cortina e persiana, prateleira, quadro, espelho, varal de teto, nicho.
  • Hidráulica pequena: trocar o reparo da torneira (a peça de vedação que para o pingo), sifão, engate flexível, o mecanismo da caixa acoplada e o assento sanitário.
  • Portas e armários: dobradiça, puxador, fechadura, porta que arrasta.
  • Móvel: montar móvel simples, como mesa, rack e cômoda pequena.

Na elétrica, o primeiro passo de quem trabalha direito é desligar o disjuntor daquele circuito no quadro. É também a primeira medida da NR-10, a norma do Ministério do Trabalho para quem trabalha com eletricidade: tirar a energia antes de mexer. Ela foi escrita para empresa e empregado. Mesmo fora dela, a regra de desligar vale para todo mundo.

Tomada também tem tamanho. Aparelho de pino grosso, como micro-ondas e aquecedor, pede tomada de 20 A (ampères, a corrente que ela aguenta). Trocar uma de 10 A por uma de 20 A parece simples, até aparecer fio curto, tomada sem caixinha na parede ou circuito sem etiqueta no quadro. Aí a troca de dez minutos vira uma hora, e o preço acompanha.

Se a lista tem um guarda-roupa ou uma cozinha inteira, o caminho é um montador. Explicamos como ele cobra em montagem de móveis. Se a caixa acoplada não para de encher, veja antes vaso sanitário que não para de encher: às vezes o conserto é mais simples do que parece.

O que não é serviço dele

Um bom profissional diz "isso não é comigo". Desconfie de quem topa tudo.

Gás

Ligar fogão, instalar aquecedor a gás, converter aparelho ou mexer na tubulação é serviço de instalador de gás. A instalação de aparelho a gás em casa tem norma própria da ABNT (NBR 13103), com regras de ventilação, ligação e teste de vazamento.

Quadro elétrico, circuito novo e chuveiro mais forte

Trocar o quadro, criar circuito, puxar fiação nova ou ligar um chuveiro mais potente que o antigo é trabalho de eletricista. O chuveiro pede fio e disjuntor do tamanho da potência, além do fio terra. A norma de instalações elétricas (NBR 5410) trata o banheiro como local de risco maior de choque e pede proteção por DR, o dispositivo que desarma quando há fuga de corrente. Trocar chuveiro igual por igual, no circuito que já existe e está certo, fica com o marido de aluguel.

Obra que mexe na estrutura

Abrir ou derrubar parede, cortar viga, laje ou coluna é obra com engenheiro ou arquiteto. Em prédio, a reforma passa por um plano assinado por um deles, com o documento de responsabilidade técnica (ART ou RRT), entregue ao síndico.

Ar-condicionado

Limpar o filtro, ok. Instalar split, fazer vácuo e pôr gás refrigerante pede técnico de refrigeração, com bomba de vácuo e manifold. Veja em instalação de ar-condicionado.

Telhado e fachada

Trabalho acima de 2 metros com risco de queda tem regra própria, a NR-35. Trocar telha costuma pedir ajudante e equipamento de segurança. Não é serviço de visita rápida.

Como ele cobra

Existem quatro formas, e o mesmo profissional pode usar mais de uma.

Por hora. Bom para lista variada e imprevista. Pergunte se a hora começa na chegada e se o deslocamento entra na conta.

Por serviço. Preço de tabela para o que tem passo a passo conhecido: trocar chuveiro, instalar suporte de TV, trocar o reparo da torneira. Muita gente faz o orçamento por foto ou vídeo, sem visita.

Por diária. Quando a lista enche um dia. Costuma sair mais em conta do que somar as horas, mas combine o horário de começo e de fim.

Por orçamento fechado. Para trabalho maior, como pintar um cômodo. Um valor para o serviço inteiro.

Quase todos cobram uma visita mínima (a "saída"). Ela existe porque ir até a sua casa custa o mesmo para dez minutos e para duas horas. Trocar uma lâmpada sozinha paga o mínimo. Na conta também entram o deslocamento e, às vezes, a taxa da maquininha de cartão.

Junte os reparos numa visita só

Esse é o conselho que mais economiza. Dez tomadas viram um pacote, com preço menor por tomada. Uma lista com suporte, prateleira, sifão e dobradiça paga uma saída só.

Bancada com chave de grifo, fita veda-rosca, conexões e um registro.
Imagem ilustrativa.

Faça assim:

  1. Ande pela casa e anote tudo, cômodo por cômodo.
  2. Tire foto de cada item, com uma visão de perto e outra do lugar.
  3. Mande a lista inteira antes e peça o preço item por item.
  4. Diga a parede onde vai furar (alvenaria, drywall, azulejo) e o peso do que vai pendurar.
  5. Deixe os espaços livres e as peças compradas no lugar.

A lista ajuda o profissional a trazer a broca, a bucha e a peça de reserva certas. Sem ela, um item pode ficar para outra visita, e outra saída.

Quem leva o material

Não há regra fixa. Há três jeitos, e o que importa é combinar antes:

  • Você compra. Bom quando você quer escolher o modelo (o chuveiro, a torneira, o suporte). Pergunte antes o que comprar, para não errar a medida.
  • Ele compra e cobra à parte. Leva a nota da loja e você paga o valor dela, separado da mão de obra.
  • Ele embute no preço. Prático para peça miúda: parafuso, bucha, fita, conector.

A lei ajuda aqui. O Código de Defesa do Consumidor (art. 40) diz que o orçamento deve separar mão de obra e material, dizer como se paga e quando começa e termina. Ele vale por 10 dias, salvo outro combinado, e o serviço não pode começar sem o seu sim (art. 39). Peça tudo por mensagem: fica registrado.

Quanto custa

Faixas de coleta em outubro de 2026, do menor ao maior valor publicado:

ServiçoFaixa
Hora de trabalhode R$ 30 a R$ 250
Instalar ou trocar chuveirode R$ 100 a R$ 300
Suporte de TVde R$ 100 a R$ 300
Prateleira e suporte de paredede R$ 50 a R$ 350
Cortina ou persianade R$ 75 a R$ 750
Lâmpada ou luminária simplesde R$ 40 a R$ 150
Conserto em vaso sanitáriode R$ 30 a R$ 425

A distância entre a ponta de baixo e a de cima é grande, e tem motivo. Sobem o preço: parede de concreto ou azulejo, TV grande com suporte articulado, cortina com trilho longo, pé-direito alto, instalação antiga (fio curto, sem caixinha, sem etiqueta no quadro), urgência e fim de semana. Descem o preço: lista longa numa visita, peça já comprada e acesso fácil.

Garantia: o que a lei dá

Serviço tem prazo de reclamação pelo Código de Defesa do Consumidor (art. 26). Para serviço durável, que é o caso da maioria dos reparos da casa, são 90 dias, contados do fim do serviço. Se o defeito é oculto (só aparece depois, como um vazamento dentro do armário), os 90 dias começam quando ele aparece. Serviço não durável tem 30 dias.

Reclame por escrito, por mensagem. A reclamação comprovada suspende o prazo até a resposta. Se o serviço saiu com defeito, a lei (art. 20) deixa você escolher: refazer sem custo, devolver o valor ou abater do preço. Se o problema está na peça que você comprou, a reclamação vai para a loja ou o fabricante. Por isso vale guardar as duas notas: a do serviço e a da peça.

Garantia maior que a da lei pode ser oferecida, mas peça por escrito.

Antes de contratar, pergunte

  • Cobra por hora, por serviço ou por diária? Qual é a visita mínima?
  • O deslocamento entra no preço?
  • Pode orçar a lista inteira por foto, item por item?
  • Quem compra o material? Se for você, o que comprar exatamente?
  • O orçamento separa mão de obra e material?
  • Desliga o disjuntor antes de mexer na elétrica?
  • Traz broca e bucha para o tipo da minha parede?
  • Testa na minha frente: água correndo sem pingo, chuveiro esquentando, suporte firme?
  • Dá recibo ou nota com a data do fim do serviço?

Um sinal de alerta concreto: quem promete ligar o chuveiro novo, mais potente, "no fio que já tem", sem olhar o quadro. Outro: quem aceita mexer em gás ou derrubar parede como se fosse trocar tomada.

Nosso conselho é começar por uma lista pequena, com foto, para conhecer o profissional. Peça indicação a vizinho ou síndico, que costumam ter um nome de confiança. Prefira quem diz o que não faz e indica outro profissional para isso. Confira o serviço antes de pagar e guarde a conversa, o recibo e a nota do material. Preço muito abaixo dos outros pede explicação: pergunte o que está e o que não está incluído.

Equipe de pequenos reparos